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País tem 2 milhões de postos na área verde
 
Dois milhões de brasileiros podem dizer que trabalham para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa ou melhorar a qualidade ambiental.
 
O levantamento, em fase de finalização, é do escritório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil.
 
O estudo divide os profissionais em cinco áreas: energias renováveis, florestal, saneamento básico e gestão de resíduos e riscos ambientais, gestão de materiais e transporte e telecomunicações.
 
O número é considerado representativo por Paulo Sérgio Muçouçah, coordenador de empregos verdes e trabalho decente da OIT e responsável pelo estudo. Foram considerados somente trabalhadores com carteira assinada, tomando como base a Rais (Relação Anual de Informações Sociais).
 
Dos 39,4 milhões de empregos formais no Brasil, 5% são verdes. Entre essas posições, no entanto, é possível ter um cargo verde em uma empresa poluidora ou ter impacto negativo trabalhando em uma empresa com selo de sustentável, explica Muçouçah.
 
Quem adapta os veículos da Petrobras às taxas de emissões, por exemplo, é considerado verde, embora a atividade-fim da empresa acelere o aquecimento global e deteriore a qualidade ambiental, produzindo o diesel que alimenta tal veículo.
 
Há também os que podem se chamar de verdes, mas que são de setores muitas vezes caracterizados por não terem um bom ambiente de trabalho.
 
É o caso dos atendentes de telemarketing - o setor de telecomunicações é considerado benéfico ao ambiente por reduzir a necessidade de deslocamento de pessoas.
 
Copenhague
 
A pesquisa da OIT deve ser divulgada no começo de dezembro, às vésperas da Conferência de Copenhague, que discutirá um acordo sobre o clima.
 
As ações relativas a esse fenômeno podem ser de adaptação ou de mitigação. Por isso funcionários da Defesa Civil -que auxiliam atingidos por enchente, por exemplo- também são considerados verdes.
 
O "bem possível" fracasso em Copenhague pode diminuir, mas não frear, a tendência de criação de empregos verdes, analisa Daniel Esty, que leciona legislação e políticas ambientais na Universidade Yale e foi membro do comitê de transição de Barack Obama.
 
Muçouçah concorda, pois a noção de produtividade "já começa a incorporar a questão dos recursos naturais".
Além da legislação e da pressão dos consumidores, "fatores econômicos, como a redução de desperdícios", são estímulos às firmas, diz Muçouçah. Entre eles estão a eficiência energética e a redução e a reutilização de resíduos industriais ou da construção civil.
 
Esty diz que os empregos verdes não necessariamente estão associados à inovação: "Alguns são a implementação de técnicas já compreendidas".
Fonte: Folha de S.Paulo

 

MAS O QUE É UM
EMPREGO VERDE?

 

De acordo com o Programa de Meio Ambiente da ONU, um emprego verde, também chamado de emprego de colarinho-verde (green-collar job) é um "trabalho em atividades nas áreas de agricultura, produção, pesquisa e desenvolvimento, administração e serviços que contribuem substancialmente para preservação ou restauração da qualidade ambiental.
 
Especificamente, mas não exclusivamente, isso inclui trabalhos que ajudam a proteger os ecossistemas e a biodiversidade, a reduzir energia, materiais e consumo de água através de estratégias de alta eficiência; descarbonizar a economia e minimizar ou evitar totalmente a geração de todas as formas de desperdício e poluição.
Economia "verde" abre espaço para empreendedores
Nos EUA, ONGs criam empresas e ocupam espaço no novo mercado
Mario Casasnovas estava no telhado verde do Bronx County Building algumas semanas atrás, recordando as flores que cresciam ali no verão e oferecendo algumas dicas sobre o manejo da vermiculária, que é a principal planta no telhado. "As raízes do trevo", uma erva daninha, "tendem a se enroscar nas raízes de uma vermiculária", disse ele, nove andares cima da Grand Concourse, perto do Yankee Stadium. "É preciso tomar cuidado para não arrancar a vermiculária junto com o trevo." Casasnovas, um empregado da SmartRoofs LLC, estava fazendo uma manutenção de rotina no telhado verde que sua companhia instalou em junho de 2003. A empresa, com sede no Bronx, é uma das poucas com telhados verdes na região metropolitana de Nova York. Mas o que torna a SmartRoofs mais incomum é que ela faz parte de uma pequena mas crescente tendência entre pequenas empresas: grupos com fins lucrativos criados por outros sem fins lucrativos, que ensinam as habilidades profissionais necessárias para a integração na nascente economia verde.

A SmartRoofs foi desenvolvida pelo ONG Sustainable South Bronx, que também gere a Bronx Environmental Training, uma das primeiras iniciativas dos EUA para treinar pessoas para empregos "verdes". O programa agora treina mais de 60 trabalhadores de baixa renda, usando recursos de diversas fontes, a maioria fora do governo.

Existe apenas um punhado dessas pequenas empresas em todo o país. "Essas empresas sociais são as primeiras a adotar a indústria verde", disse, por e-mail, Phaedra Ellis-Lamskin, diretora executiva da Green for All, uma organização nacional que trabalha para criar oportunidades econômicas verdes em comunidades carentes. "Essas empresas estão aplainando o caminho para empresas tradicionais integrarem o conceito de empregos verdes em práticas cotidianas."

Os grupos sem fins lucrativos que começaram essas pequenas empresas o fizeram principalmente para promover suas próprias missões. "Essa é uma oportunidade para tirar pessoas da pobreza para a prosperidade, enquanto tornam mais verde nosso planeta", disse Michele McGeoy, diretora executiva da Solar Richmond, um programa de treinamento para trabalhos com energia solar na Área da Baía de San Francisco. "É uma situação em que só há ganhadores."

A Solar Richmond oferece um serviço com fins lucrativos que permite que consumidores determinem a viabilidade de usar energia solar e os ajuda a trabalhar com planejadores e instaladores de sistemas. "Em essência, nós ajudamos o consumidor a decifrar ofertas de fornecedores", disse McGeoy.
Fonte: Estadão (Liz Galst)