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UMA TRAGÉDIA AINDA EVITÁVEL, UMA MISSÃO PLANETÁRIA
 
Éramos jovens e impetuosos. Tudo era novo e brilhante. E todas as portas davam para o futuro. O final do século XIX parecia próspero e excitante. Grandes cidades, grandes multidões, novas máquinas, novas idéias. Admirável mundo novo.

Mas como já dizia o senador romano Cícero, há tantos anos, os jovens que cometem excessos e extravagâncias, chegam à idade adulta com o corpo exaurido.

Nós seres humanos, em geral, só começamos a nos preocupar com a nossa saúde quando o corpo emite algum sinal de alerta, algum sinal de perigo.

Com o Planeta Terra, um planeta vivo, a analogia é a mesma.

Estamos no Planeta Terra a centenas de milhares de anos, no entanto, somente nos últimos 50 anos da segunda metade do século passado que começamos a nos preocupar com a saúde do planeta, com o resultado de nossas ações no planeta. Com questões ambientais.

Dependemos inteiramente do sistema natural da Terra e de seus recursos para garantir nossa sobrevivência e apenas agora estamos nos preocupando com ele.

Mas o que aconteceu com nosso planeta nos últimos 250 anos? Catástrofes climáticas, escassez de água e recursos naturais, poluição do ar, extinção de espécies animais inteiras.

Como chegamos a esse ponto? O que aconteceu no meio do caminho?

As vantagens eram inúmeras e grandiosas demais. O motor a vapor foi inventado em 1760 e logo trouxe as marias-fumaças, as grandes locomotivas e barcos.

Logo no começo da chamada Primeira Revolução Industrial, a energia utilizada vinha do carvão e do vapor d’água. Para abastecer as novas máquinas, madeira e carvão começam a ser queimados.  Aperfeiçoada em 1781 por James Watt, a máquina a vapor acabou popularizando-se a partir de 1800.

Assim, o ser humano dava o primeiro passo para descobrir a vastidão do planeta onde vive. Rapidamente, os limites naturais começam a ser vencidos.

Noventa anos depois, com a Segunda Revolução Industrial, outras duas grandes descobertas, a eletricidade e o motor a combustão interna ganham o mundo e revolucionam o relacionamento do homem com seu meio ambiente.

A sociedade gradativamente deixava suas origens feudais e agrárias para caminhar para uma economia industrial marcada pelas grandes linhas de montagem de manufaturados, motores e máquinas, sendo que a produção e o consumo foram se acentuando cada vez mais.

Desde então, o consumo de madeira, carvão e petróleo aumentou cada vez mais. Precisávamos mover os veículos, mover as termoelétricas, mover as usinas de eletricidade.

As novas fontes de geração de energia e o uso abusivo de tais fontes teriam suas conseqüências:

Petróleo: Conhecido desde a Antiguidade, porém inicialmente de uso restrito à iluminação e produção de fogo, o petróleo, na era moderna, começou a ser utilizado como lubrificante e medicamento.

Com o aparecimento dos motores de explosão, o uso do petróleo começou a crescer geometricamente. Em 1859, o primeiro poço foi perfurado na Pensilvânia, EUA, dando-se início a era do petróleo. Sua composição química elementar registra 82 a 87% de carbono e seu uso abusivo na geração de energia tornou-se a principal causa do chamado “Efeito Estufa”.

Eletricidade: Quando produzida por usinas térmicas, que usam o óleo ou o carvão como fonte de energia, a eletricidade também pode ser poluente. Os estudos sobre a utilização vêm do século XVII e ganham impulso no século seguinte.

No ano de 1875, em Paris, a Cidade das Luzes, um gerador a vapor foi instalado para fornecer eletricidade às lâmpadas da famosa estação Gare du Nord. Logo o uso da energia elétrica é disseminado, e surgem estações geradoras, cujas turbinas, movidas a água, não produzem poluição. A primeira grande instalação hidrelétrica data de 1886, junto às cataratas do Niágara, na fronteira entre EUA e Canadá.

A primeira fase da Segunda Revolução Industrial não chegou a preocupar quanto à poluição atmosférica. Ao contrário, ela apenas motivou o contínuo aperfeiçoamento de motores cada vez mais potentes e também poluentes.

Com o lema “progresso a qualquer custo” na mente de milhares, os efeitos nocivos da poluição, gerada pela devastação de florestas e poluição de rios e da atmosfera simplesmente não foram notados.

Os impactos do crescimento da população, da impressionante concentração demográfica em regiões metropolitanas, da destruição de ecossistemas, da descontrolada deposição de resíduos sólidos em lixões ou aterros, da poluição dos recursos hídricos e das emissões de gases em decorrência das atividades humanas, têm sido características dos últimos 50 anos.

A primeira vez que a ONU, Organização das Nações Unidas, se reuniu para tratar de questões ambientais foi no ano de 1972, em Estocolmo na Suécia, quando foi aprovada a chamada “Declaração de Estocolmo” e criado o PNUMA, Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente.

Naquela oportunidade a Declaração de Estocolmo previa uma série de medidas para enfrentar problemas ambientais. Afinal, a Terra estava em perigo.

Em 1988, a preocupação com o Aquecimento Global levou à criação do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que reúne cientistas de todo o mundo para, sob a coordenação da ONU, analisar as mudanças climáticas e seus efeitos.

Em 1992, o mundo se reuniu aqui, no Brasil, na Rio-92, para tratar, pela primeira vez e sob iniciativa do ONU, do Aquecimento Global, seus efeitos e propor soluções.

Foi aprovada, no Rio, a Convenção sobre Mudanças Climáticas, que levou ao Protocolo de Kyoto (1997), cuja primeira meta estabelece, para os países desenvolvidos e até 2010, uma redução média de 5,2% na emissão dos gases que provocam o “Efeito Estufa”.

Os dois problemas que vem alarmando mais cientistas e especialistas desde então são: a escassez de água e o Aquecimento Global.

Ambos representam ameaças reais ao equilíbrio do Planeta Terra e consequentemente à humanidade, não apenas a gerações futuras, mas a essa geração.

Apesar de todos os alertas, as emissões, em vez de reduzir, têm aumentado, os rios continuam a ser poluídos, florestas estão, nesse momento, sendo sistematicamente eliminadas. Está mais do que na hora de pensarmos verdadeiramente sobre o legado real que estamos deixando para nossos filhos, netos e bisnetos.

Hoje a população se prepara para outra revolução. Essa não mais focada somente na busca desenfreada por inovações tecnológicas, mas no estabelecimento de uma nova relação com o planeta, para que, juntos, possamos enfrentar o desafio do Aquecimento Global. Um desafio que deve ser assumido por todos.

Esse é o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, é um dos principais símbolos dessa nova revolução.

Sacralizado por civilizações desde a antiguidade, o Kilimanjaro, que deve seu nome a sua brancura e o brilho de suas neves, já era citado em crônicas do geógrafo egípcio Cláudio Ptolomeu no século II.

A fama do monte cunhou a frase “as neves do Kilimanjaro são eternas” e também serviu de inspiração para escritores como Ernest Hemingway.

Pois, em 2002, cientistas descobriram que a eternidade das neves do Kilimanjaro irá durar pouco.

Em 1900 sua extensão era de cerca de 12 km². Hoje é de apenas 2 km². É um degelo de mais de 80%. Especialistas prevêem seu desaparecimento para os próximos 20 a 30 anos.

Para evitarmos que outros patrimônios naturais desapareçam, a mudança deve começar já.
 
O planeta não pode mais esperar.
 
Faça sua parte.